"Hoje eu vi sua assinatura num papel de pão
Sempre que eu lembrar seu nome não vai ser em vão, não"
(Detonautas, em "Fim da Encruzilhada")
Um dia você me falou que estamos há mais tempo separados do que o tempo que ficamos juntos e isso ecoa na minha cabeça desde então por dois motivos. Primeiro porque o tempo está voando na velocidade de um avião supersônico e segundo porque, apesar dessa constatação real, parece que foi ontem que nós éramos nós.
Na minha cabeça cheia de lembranças que insistem em não enfraquecer, sempre tem espaço pra você ressurgir me trazendo uma certa nostalgia. A gente amadureceu, né? E sempre que conversamos isso fica claro como um dia de sol. Não há rancor, não há raiva, só uma tristeza de quem talvez tenha deixado passar a oportunidade da vida inteira. Será que deixamos? Ou será que fomos o que tínhamos de ser um para o outro e fica o aprendizado que tudo nos trouxe? Não sei ainda, papo de terapia, inclusive.
Mas porra, é chato pra cacete ter você surgindo na minha mente o tempo todo! Se ando na rua e vejo um fusca colorido, lembro de você. Se vou a uma cafeteria e tomo um espresso, lembro de você. Ouvindo Geraldo Azevedo, lembro de você. Leio um conto de Caio F. Abreu, lembro de você. Cantando a plenos pulmões que você não sai do meu pensamento e eu me questiono aqui se isso é normal, lembro de você.
Tem horas que dá vontade de ligar um grande foda-se e te ligar dizendo pra gente voltar e ver no que vai dar. Já em outras horas eu penso que a gente não deveria mexer no que já foi e foi tão bonito. Mas no fundo, diante de tanta estrada que já percorremos ao longo desses 12 anos, rola uma vontadezinha sacana de que um dia a gente se encontre no fim da encruzilhada.
Foto: Pinterest

Comentários
Postar um comentário