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31. Recifense.
Canceriana com ascendente em sagitário.
Psicóloga no RH. Viciada em café.
Mãe do Francisco, do Joaquim e do Oscar.

Luciana

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As relações extramodernas: como estão os sentimentos hoje?


Vivemos numa sociedade que já passou por inúmeras mudanças de padrões, mas que mesmo assim, ainda cultiva conceitos muito antigos.

As relações amorosas, assim como outros conceitos sociais (a exemplo a própria noção de sexualidade dos gêneros), mudaram muito ao longo dos anos. No período colonial, onde a família era mantida pelo patriarca, as relações entre homem e mulher eram completamente voltadas para a procriação e eram estabelecidas por negociação, onde a mulher era um bem de troca que deveria casar com quem o pai considerasse o genro ideal (baseando-se na condição financeira do candidato). Não eram permitidas as praticas voltadas ao prazer do casal e muito menos para a mulher, que era vista como santa. Por esse motivo era comum entre os homens a prática de relações extraconjugais (normalmente com escravas ou prostitutas) e assim a composição de outras famílias bastardas.

Com o passar do tempo, essas relações foram modificando-se. O romance começou a ser um ponto em consideração para os casais, mas ainda assim não era o suficiente, já que ainda tratava-se de negociações entre os pais dos jovens. Nesse período as fugas eram comuns, e a alimentação dos romances era mantida pelos livros e belos contos que prendiam as jovens sonhadoras que desejavam lindos casamentos com seus príncipes encantados.

Como não sonhar lendo Romeu e Julieta, Hamlet e outros romances como os de Machado de Assis (Helena, Dom Casmurro e outros).

Pouco se pensava na felicidade e nos desejos do casal apaixonado. O casamento era o futuro da mulher, que deveria ter um marido de sucesso nos negócios.

Partindo para o lado filosófico, uma visão interessante é a do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Em seu livro “Assim Falou Zaratustra” ele coloca uma visão onde defende a procriação e a “criação” de um super-homem (Übermensch). Para ele, antes de tudo, o homem precisa construir a si próprio em corpo e alma e, só depois terá condições de desejar um filho. Em um trecho ele coloca: “Não deves só reproduzir-se, mas exceder-te! Sirva-se para isso o jardim do matrimônio!” Podemos notar que, para ele, os casais devem unir-se com o único sentido de criar o superior. Não basta só possuir o sentimento ou o desejo sexual pelo outro, é necessário que ambos possuam a vontade maior de criar o ser superior.

Na atualidade notamos que o conceito não só do matrimônio, mas das relações como um todo, estão completamente diferentes. As relações tornaram-se líquidas, como afirma o sociólogo Zygmunt Bauman em seu livro “Amor líquido: sobre a fragilidade das relações humanas”. As pessoas buscam prazeres imediatos e não suportam os contratempos que existem nas relações (todos nós sabemos dessa existência). O amor é considerado perigoso, pois “prende” a pessoa em uma relação, privando-a de experiências “diferentes” e causando a perca de tempo (como pensam algumas pessoas). As relações tornaram-se mais uma vez negócios, onde uma análise rigorosa de lucros e prejuízos precisa ser feita com bastante cautela antes que se mergulhe no “poço sem fundo” que é considerado o amor. Ao primeiro indício de crise na relação, a probabilidade do laço ser desfeito é enorme, e notamos isso quando analisamos a duração de namoros e casamentos atuais.

Apesar de tudo isso, ainda existem pessoas que acreditam em tal sentimento e não tem medo de mergulhar nesse poço, que na verdade, não é um poço sem fundo, e sim um lindo mar onde perder o juízo não é nada perigoso.

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