[Resenha] Um dia - David Nicholls

27 de novembro de 2011 //

Rankeillor Street, Edimburgo
   - Acho que o importante é fazer a diferença - disse ela. - Mudar alguma coisa, sabe?
   - Você está falando de "mudar o mundo"?
   - Não o mundo inteiro. Só um pouquinho ao nosso redor.
   Os dois ficaram em silêncio por um tempo, os corpos entrelaçados na cama de solteiro, depois começaram a rir em voz baixa, na mesma altura do amanhecer


Várias pessoas estão comentando sobre esse livro ultimamente. Eis um fato. Lembro de ter ficado curiosa sobre ele desde quando vi a capa e achei extremamente linda e intrigante. Li a sinopse, achei legal e deixei ele lá, marcado como desejado. Até que, um belo dia, na Bienal do Livro de Pernambuco, meu namorado resolveu me dar ele de presente e pronto. Daí em diante foi relação de amor e ódio.

Um Dia conta a história de Emma e Dexter durante o período de vinte anos e retratando apenas o dia 15 de julho de cada ano, que é a data que eles se conhecem, o dia de sua formatura na universidade e marco na vida deles. Ao longo do livro vamos acompanhando a história de cada um, suas evoluções enquanto amigos e pessoas. Durante esses vinte anos, vemos o sentimento deles evoluir e regredir, passar por altos e baixos, mas sem nunca deixar de existir. Dexter e Emma brigam, se reconciliam, se enchem de esperanças ou perdem-nas completamente. Ao longo do livro, passeamos praticamente pela vida inteira dos personagens.

É impossível não reagir diante do livro, não ficar revoltado com as mancadas do Dexter ou xingar a Emma quando ela tem as crises de idiotice dela. Além disso, também acho um pouco impossível não torcer para que os dois fiquem juntos. O livro mistura humor, romance e dados históricos, já que cada capítulo se passa em um ano diferente e que geralmente é contextualizado por algum evento marcante da época. Eis um ponto que achei bem legal do livro e que dá um tom realista à história.

O David Nicholls soube equilibrar os capítulos, no sentido de que ele soube manter as histórias dos dois personagens equilibradas, sem falar mais de um do que do outro. Além disso, a linguagem é simples e o livro é bastante divertido, de um modo geral. Preciso admitir que em alguns momentos também achei essa história de narrar apenas um dia de cada ano bastante cansativa, pois a cada fim de capítulo ficava a vontade de saber o que aconteceu e isso me frustrava um pouco, é verdade.

Além disso, os momentos menos românticos do livro foram me cansando, mas como sou persistente, segui adiante e aí veio a surpresa. Não vou contar o final do livro, é claro, mas vale a pena dizer que é surpreendente. De fato eu fiquei espantada e pensando "OMG, PORQUE O DAVID NICHOLLS FEZ ISSO?!?!?". É, foi bem assim mesmo, em maiúscula. Eu chorei, chorei horrores com os capítulos finais do livro e sinceramente já estou me preparando psicologicamente pra o filme. Vai ser tenso.

De um modo geral, achei Um Dia bastante agradável e positivo. Está na minha lista de recomendados e favoritos, vale a pena.


8 comentários:

  1. Lembro do dia que dei para você esse livro,
    foi um daqueles livros que sabia que vc ia ler!
    Você sempre tem aqueles olhinhos brilhantes quando escolhe um livro,
    otimo texto pequena!

    Te amo amoR!

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  2. Eu li o livro e terminei ele de um jeito que eu não imaginava. Pensei que eu fosse gostar muito, mas não foi tudo aquilo. Esperei demais sim. Até porque quando o avaliei na livraria li as primeiras páginas que são repletas de críticas favoráveis e elogios exageradíssimos. Não que eu não tenha gostado. Realmente foi uma boa sacada a do David de narrar as histórias de um dia apenas da vida dos personagens durantes os vinte anos. Achei que ele conseguiu se dar bem, mas alguns aspectos não fazem o livro valer as mais de 400 páginas. Já mudei de ideia com alguns livros, talvez daqui a algum tempo eu mude a minha por "Um Dia", mas não colocaria o livro no pedestal em que os vários críticos e especialistas colocaram. Para mim, o ponto mais importante e legal do livro é que apesar de beirar o romance romântico e de fato contar a história de uma mulher que guardou um amor "quase" não correspondido ele não é piegas e melosos. Em certos pontos a gente dá até risadas gostosas. É um livro que vale a pena comprar e ler.

    Beijo.

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  3. Realmente acho que os elogios das primeiras páginas foram um tanto exagerados, mas em partes também compreendo. É um estilo diferente, chama a atenção. Eu gostei, deixou um saldo positivo e alguns dias de reflexão. Concordo contigo, vale a pena comprar e ler.

    Beijo, Fê!

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  4. Maria Fernanda Probst30 de novembro de 2011 19:51

    Lendo a tua narrativa do livro me vi TODINHA nele! A curiosidade de saber o dia seguinte ao 15 de julho e as lágrimas nos capítulos finais. Aquela parte eu li umas vinte vezes, porquê OMG, POR QUE O DAVID NICHOLLS FEZ ISSO?!?!? Até tem um texto que escrevi nessas páginas de choro...


    "Perdoa as lágrimas que escorrem mansas. (...)uma parte do meu ser gosta – e muito – de comédias românticas, amores impossíveis, novelas mexicanas. (...) E estava lendo um livro meio bobo, meio não, bem daqueles que eu a-do-ro por demais da conta. Tinha um casal, lógico. E mais alguma coisa que me envolvia, sei lá porquê, de alguma maneira naquelas linhas redigidas em ordem cronológica, com vocabulário fácil e enredo nada demais, mas tudo de bom, sabe? No desenrolar das frases, das falas, dos encontros e desencontros, fui me envolvendo de tal maneira, que acrescentei mais dois na minha lista de personagens favoritos, mesmo continuando não ter nada demais naqueles dois, mesmo continuando não ter nada demais naquele livro que narra a vida de uma pessoa, quase como uma biografia esquisita. Então, fui lendo. E lendo. E, subitamente, o autor termina o livro na metade dele, me deixando tola, com um rio escorrendo no rosto e uma incredulidade estampada na cara. Eu folheei com pressa as páginas que seguiam, pra ver se aquilo era aquilo mesmo, e suspirei derrotada ao constatar que sim e que haveria mais páginas de lágrimas e tristezas e “isso não podia ter acontecido”. Dá raiva sabe moço? Desses livros de finais improváveis e é justamente isso que eu amo tanto neles..."

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  5. chorei litros quando li o final e chorei em todas as páginas seguintes, logo que terminei o livro fui ver o trailer do filme e chorei mais ainda só pensando em como toda aquela mágica acabava. Eu me envolvi tanto com os personagens que quando acabou foi como se aquilo tivesse acontecido com 2 melhores amigos meus e eu simplesmente não podia aceitar ou lidar com aquilo, falo sério, foi a sensação que eu tive.

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  6. Olha, eu chorei litros quando fui terminando de ler o livro e fiquei pensando por um bom tempo. Não me senti como se fosse com amigos, apenas fiquei pensando bastante em como a vida é imprevisível e surtei de medo.

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  7. Excelente resenha, chuchu! Me animou pra ler, mas também me deixou com medo do final :P

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  8. Estou lendo "Um Dia", depois de um ano, haha! Não vi o filme ainda!

    Por enquanto, a leitura está bem interessante. Já passei da primeira parte.
    E, tem horas que me irrito muito com a Emma...mas o Dexter também consegue superar às vezes!

    Agora, depois de ler o seu texto, fiquei curiosa para saber o que acontece no final! Vou ler depressa pra saber o que acontece!

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