Breve Análise: "Ensaio sobre a cegueira"

1 de outubro de 2008 //

Breve Análise: “Ensaio sobre a cegueira”

Por Luciana.



Tomando por base o romance “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago, a banda Detonautas Roque Clube aborda o mesmo tema do livro, que fala da importância não só de reparar no significado das coisas, mas também de reparar o que foi perdido, porém, a banda aborda esse tema de maneira diferente.

A música lançada no álbum “O Retorno de Saturno” trata da realidade em que vivemos e mais particularmente da realidade dos jovens que, em sua grande maioria, vivem alienados dos acontecimentos que os cercam e que vivem da futilidade das coisas efêmeras da vida. Ou seja, preferem shoppings, shows e baladas ao invés de um bom livro ou análises de poemas e textos mais subjetivos que ajudam na própria formação de conceitos.

Tomando alguns trechos dessa música, podemos analisar as seguintes proposições:


“Onde não se pode mais encontrar um coração
Me provoca o teu desprezo com um pouco de atenção.
A mentira que te cerca é mais normal do que se crê
Entre a sua liberdade e o meu direito de viver

A mentira que te cerca pode ser referência à vida “inventada” que muitos tem. Não se trataria em viver na realidade nua e crua, e sim de não abandoná-la e encarar a vida como um belo conto de fadas. “Entre a sua liberdade e o meu direito de viver”, pode ser remetido à individualidade tão comum aos dias de hoje, onde a sua liberdade é mais importante do que o próprio direito de vida do outro.

“Jovens sem nenhuma utopia
Caminham tensos pelas ruas de suas casas velhas
Sem nenhuma luz, sem nenhuma luz de Fernando Pessoa
Fechados nas sexuais telas da impotência
Se masturbam contemplando corpos em decomposição!
Morte da minha fé,
Onde estavam o beija-flor e o arco-íris
Na hora do nascimento dessas criaturas
Quantas gotas de flor restam nos corredores dos céus
De vossas bocas.
Quais fontes clamam por vossos nomes?
Eu entrando na virtuosa idade
E eles entrando em idade nenhuma.
Os filhos da morte burra
Cheiram o branco pó da anemia
Esqueceram que um dia tocaram na poesia da
Transgressão em pleno ventre de suas esquecidas mães
Esqueceram de colar o ouvido ao chão
Para ouvir as ternas batidas do coração das borboletas.
Os filhos da morte burra
Jamais levantam uma folha para conhecer o amor dos incertos
Jamais erguem taças ao luar para brindar a
Vigorosa lua
Os filhos da morte burra,
Desconhecem ou jamais ouviram falar em iluminação
Apenas abrem a boca para vomitar”

Parte declamada da música e que particularmente é a melhor. Como resumi-la?

Nesse trecho podemos primeiramente remeter aos jovens que ele considera sem utopia, ou seja, hoje em dia são os jovens sem grandes aspirações e desejos de vida, jovens completamente diferentes dos jovens da década de 60/70, por exemplo, que se uniram em torno de ideais utópicos e etc.

Jovens individualistas e presos nas atrativas (sexuais) telas da impotência... jovens que nada fazem.

Podemos ver o trecho sendo “falado” de uma pessoa mais velha (entrando na virtuosa idade) para um jovem que segundo ele não entra em idade nenhuma, que pode simplesmente querer ser jovem eternamente (adultescência). Jovens usuários de drogas que esquecem (ou nunca chegam a saber) que são descendentes de outra geração de jovens que admirou mais a poesia e etc.

Jovens inertes que raramente se movem diante dos problemas ou trabalhos que lhes são colocados, jovens que não se importam em conhecer a realidade dos outros e que não admiram as pequenas coisas da vida (vigorosa lua).

Só sabem vomitar, ou seja, reclamar!


Letra completa: http://letras.terra.com.br/detonautas/1235646/

1 comentários:

  1. Meu nome é Edu Planchêz, autor de FILHOS DA MORTE BURRA", poema q recito no meio da canção Ensaio Sobre a Cegueira, do Detonauats, valeu, gostei de tua analize. Abraços Edu Planchêz. www.reverbnation.com/blakerimbaud
    www.eduplanchez.blogspot.com

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