Cinquenta tons de quê mesmo?

6 de novembro de 2012 //
Você está fazendo isso errado.

Tudo começou com a grande propaganda feita em torno de Cinquenta Tons de Cinza. Publicidade bem feita, marcante e que deixou meio mundo com vontade de ler o famoso livro. Fato. Venderam muito e os primeiros leitores começaram a dar suas opiniões. Surgiu a disputa. Muita gente falou bem do livro, mas também teve muita gente que falou mal, muito mal do livro. Eu, como boa viciada em livros que sou, fiquei curiosa desde o começo do rebuliço. Inicialmente eu queria ler para ver se tinha tanta sacanagem como diziam (quem nunca?), depois inventei de ler para ver se realmente era toda essa desgraça que as pessoas estavam dizendo. Sim, porque depois de ler resenhas de duas pessoas que eu admiro no mundo literário - oi, Nina! Oi, Del! -, ficou praticamente impossível não querer ter a minha própria opinião. E lá fui eu ler o bendito ebook.

Li não apenas o primeiro livro, mas acabei lendo Cinquenta Tons Mais Escuros também. Até ganhei o livro! E só não li o terceiro ainda porque estou esperando o dia oito chegar, que é o dia do lançamento aqui no Brasil.

Mas enfim, vamos ao que achei do livro. Depois de ler, acabei concordando com tudo o que as cíticas negativas diziam. O livro é mal escrito, tem inúmeras repetições chatas e a deusa interior dos infernos da Anastasia, que vive dando piruetas, saltinhos e fazendo outras estripulias ridículas ao longo dos livros. A história é toda cheia de clichês e coisas praticamente impossíveis, como é o caso da primeira vez espetacular da Anastasia e dos orgasmos múltiplos que ela vive tendo, que fazem qualquer mulher sentir aquela pontinha de inveja. Porque né, convenhamos, esse tipo de coisa não é tão fácil assim de se conseguir.

Fora isso, ainda existem outras coisas que deixam a história da E. L. James completamente idiota. A trilogia é considerada um pornô para mulheres, mas a única coisa que vi ali foi algo que não sei definir, mas que passa longe do pornô. O livro é erótico, tudo bem. Mas dizer que é pornô para mulheres deixa parecendo que só gostamos de coisas água com açúcar. Cinquenta Tons é um romance água com açúcar, não se iludam. Ele traz a promessa de ser pornô, de ser recheado de cenas e coisas sobre sadismo, mas não é bem assim. Pelo menos eu não vi quase nada sobre o tema até então, mas vai que a autora resolveu colocar tudo no terceiro livro e eu não sei, né? Enfim. Esperei mais nesse sentido, com certeza. E ao ver a reação das pessoas diante dos livros, acho que elas também esperam mais.

Também achei a história toda muito tumultuada. Explico. No primeiro livro tudo corre devagar, sem fortes emoções, apenas uma coisinha aqui e ali. Até que vem o final, todos ficam com cara de besta e vamos ao segundo livro. Aí vem o problema. Para mim, a autora quis tapar todos os buracos do primeiro livro usando o segundo. Ela trouxe milhões de detalhes, novos personagens fazendo confusão e por aí vai. Sem falar nas cenas de sexo que me deixaram sem paciência e pensando que aquilo seria praticamente inviável na vida real. Algumas são legais, mas foi o excesso que me chateou. Sex machine way of life não é uma coisa muito comum de se encontrar. Mas está lá, no livro, e me irritou.


A questão é que apesar de toda merda presente na história e na narrativa fraca da E. L. James, o livro acaba prendendo você. Foi o que aconteceu comigo. Mesmo rindo das inúmeras coisas toscas, eu não conseguia parar de ler. E criei uma teoria para isso. Notei que as pessoas que leem, não gostam do livro ou da história. Elas gostam é do Christian Grey. O vilão-mocinho que compra flores, tem um cuidado excessivo com a Anastasia e ainda dá umas palmadas nela de vez em quando - o que para mim, não é nada demais. E eu concordo quando alguns sites dizem que o Grey surge como um príncipe encantado moderno, sendo esse o motivo para o sucesso da trilogia. Se você ler com carinho, provavelmente, em algum momento da história, vai pensar "poxa, eu queria que fizessem isso comigo".

Então, de um modo geral, digo a todo mundo que gostei do livro sim, apesar de toda a porcaria e expectativas frustradas. Gostei do livro porque ele me prendeu na leitura e me fez gostar do personagem, pois fiquei curiosa sobre a vida dele, gostei de algumas atitudes e por aí vai. Eu gostei, assumo. Só acho que não precisariam ser três livros. Bastava um bem escrito e fim. Mas marketing é marketing, fazer o que? E se o prometido filme - que eu realmente nem imagino como vá ser diante de tanta tosquice junta -, já tenho a minha opção de Christian Grey. O que acham?

Matt Bomer é o meu Christian, beijos.


Imagens: we♥it.

14 comentários:

  1. Eu ainda fico na dúvida da escolha entre Matt e Ian Somehalder. Hahaha... E concordo com TUDINHO que você escreveu. Gostei também. Não vou mentir.

    Beijo em tu, gêmea mais gêmea de todas as gêmeas.

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    1. Não acho o Ian com cara de Grey, sei lá. Falta algo nele. Acho o Matt mais bonito de terno HAHAHAHAH

      Beijo, gêmea!

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  2. Continuo detestando a obra (e com vontade de te matar, haha!). Mas concordo em um ponto: muita gente que leu de fato detestou a escrita, mas encantou-se com Grey. Agora, a obra não me prendeu nem um pouco, só terminei o primeiro, aos trancos e barrancos, porque precisava mesmo. Mas não curti. É um lixo literário.
    Abraços.

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    1. Não queira me matar, não. ♥
      Mas de fato, falta muita coisa para esse livro ser considerado bom.

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  3. Bom, já comentei que gostei de tudo que tu escreveu lá no grupo. E concordo com tudo que foi dito, sem tirar nem por. Apesar de que, eu acho que uma mulher pode sim ter esses orgasmos seguidinhos, por que né? Depende muito do parceiro, mas enfim.

    De fato (fatão) o livro é fraco em muuuuuuuuuuuuuitos pontos e você listou vários, mas tem o Christian. E só pelo fato de terem inventado o Christian, eu já considero a autora. HAHAHA. Sério.

    E Matt Bomer é meu Mr. Grey também.


    "Até mais, baby".

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  4. Espera, pera pera pera, eu acabei de conhecer o seu blog e me deparo com a resenha mais sincera de Cinquenta Tons de Cinza que eu já li. Simplesmente incrível. Sério! Eu devorei a resenha do jeito que você devorou o livro. Eu tenho curiosidade de ler, mas nem tanta, queria ver se é tudo isso que a mídia fala, porque tá raro ver livros chamando atenção de mídias que não se relacionem tanto com isso. E pela sua resenha eu fiquei com aquela vontade de ler, mas uma vontade mais clara, menos cheia de expectativa, mais ciente do que posso esperar. Vi mesmo várias resenhas dizendo que era livro bobo, cheio de erros, de uma autora completamente inexperiente, mas sempre quero ter minha própria opinião.

    Enfim, falei e falei... e olha que não sou tagarela em comentários ein? To seguindo. Beijos. Tudo Tem Refrão

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    1. Ah, obrigada, Ágata!
      Acho que a leitura é válida sim, nem que seja para você poder argumentar porque gosta ou não do livro, sabe?
      Beijo!

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  5. Nada agrada a gregos e a troianos, não é mesmo? Estou louca pra ler, todas "azamigas" quase me esfolando viva porque não o li ainda (falta de tempo e 05 livros pra ler na cabeceira, fazer o que né?). Mas, sem brincadeira, TODAS se apaixonaram por Christian Grey! Incrível! Mas, falando a verdade, eu não aguentaria um Edward na minha vida, cheio de não-me-toque. E, muito menos, um Jacob. Eu até pensaria em um Jace (Cidade dos Ossos - Cassandra Clare), mas teve horas que eu quis matá-lo de tão ignorante que ele foi. Bem, meu príncipe encantado poderia ser também ser Patch (Hush Hush - Becca Fitzpatrick)! *-* hahaaha #aloca

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    1. Ahauahua ninguém aguentaria um Edward na vida! Mas o Grey, com todo grude superprotetor, ainda agrada. Vou começar a ler Hush Hush pra conhecer o Patch \o/

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  6. Não lembro se foi na Veja, mas vi uma revista que tinha o livro como capa e dizia que ia mudar a forma das mulheres se relacionarem e fazerem sexo. Na hora, fiquei interessadíssima em ler o livro, achando que ia mudar a minha vida sexual, né? Rs, mas aí eu li "50 tons de cinza" com a expectativa mais alta possível e até a última linha do livro, esperei ler e tal segredo que mudaria a vida de tantas mulheres. Me decepcionei. Concordo com cada linha na sua resenha, até mesmo com o final. Mesmo com a má preparação da autoria, os erros, a superficialidade e as cenas mal projetadas, eu gostei do livro. Agora estou lendo "50 tons mais escuros" bem mais realista do que li o primeiro volume. Mas assim como você, não sei explicar, tem alguma coisa nesse livro que nos faz gostar dele.
    P.S. A semelhança com Crepúsculo é incrível, embora eu ainda ache que Stephanie Meyer teve mais cuidado ao escrever, mesmo que pouco.

    Beijinhos
    hiperbolismos.blogspot.com

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    1. Pois foi essa ideia revolucionária que me atraiu e me frustrou. O livro só agrega conteúdo a algumas pessoas, o que não aconteceu comigo. E como dizem, por ser uma fanfic de Crepúsculo, as semelhanças são enormes. Ainda bem que não li a saga da Meyer.

      Beijo.

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  7. Ainda não li os livros. Por conta de todos os comentários bons e ruins sobre eles estou com muuuita curiosidade. Já até fiz um post no I Simply sobre ele. Vou ler e depois digo o que achei.
    Beijooos Flor

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  9. oie!
    Lu, vi comentários de algumas amigas sobre o livro, comentando tudo isso de negativo que você comentou... e não tive vontade de ler.
    E também, todo mundo está lendo, ao meu redor vejo que tem muita gente que "adora a história, acha maravilhoso e tudo mais" mas por puro modismo, pois as coleguinhas adoraram.
    Assim, achei melhor passar longe hehehe :)

    mas é realmente muito bom quando um livro nos prende, é uma sensação gostosa! Isso sim é legal :)

    :*

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