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Caixa Preta




Vezenquando, procuro palavras que demonstrem o que sinto, expressem meus gritos mudos e minhas raivas contidas, mas só encontro vazio. Vazio por que nenhuma delas serve pra dizer e nenhuma acerta o alvo. Não é só feliz, não é só triste, nem alegre, nem descontente... Não é nada disso. É algo que não inventaram nome ainda, não tem no dicionário e não dá para rotular.

Talvez a definição pudesse conter algo como sintomas. Mas aí pareceria doença e isso eu sei que também não é. É vontade de falar todos os palavrões conhecidos e mandar todo mundo pro inferno. Vontade de falar todas as verdades que guardo com medo de machucar as pessoas, de dizer que fulano é muito fresco e beltrano é muito doce e por isso gosto tanto. Vontade de procurar quem devo esquecer, de procurar os amigos que o tempo levou e de jogar em alguém tudo que sinto. Também é vontade de amar ainda mais, fazer sexo até não poder mais, falar bobeiras fofas de gente apaixonada, acordar ao teu lado todo santo dia e brincar de ter rotina de casal.

É uma confusão, talvez seja um estado de espírito. Será? Pode ser uma overdose de tédio ou de preguiça, assim como também pode ser uma vontade de sair porra louca curtindo a vida inteira que se descortina diante dos meus olhos, fazendo-os brilhar e me deixando com uma puta vontade de jogar tudo para o alto e fazer apenas o que eu quero, do jeito que eu quero. É apenas vontade de quietude, silêncio e barulho, tudo ao mesmo tempo.

De uns tempos pra cá, não sei o que me define e é por isso que as palavras fogem de mim. Elas fogem e eu fujo delas, não faço com que sejam minhas e uso as dos outros. É, ultimamente tenho sido uma ladra de palavras, roubando palavras dos outros e tomando-as como minhas em segredo. Apenas eu sei, guardo-as em mim e suspiro com elas. 

É tudo confusão e intensidade, eu sei. Se você não está entendendo, eu também não estou, não se preocupe. Sei apenas que todo esse caos tem duas faces, uma ruim e outra boa. Ando múltipla, confusa, rebelde, doce e inconstante, mais do que nunca.


Imagem: daqui.

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"E eu esperei, esperei, esperei tanto tempo, nossa, como eu esperei. 
Acho que eu nunca esperei tanto nada em toda a minha vida."
(Tati Bernardi)

Você me pediu para esperar, me deu data e hora e disse que viria pontualmente. Acreditei e desde o começo esperei, esperei muito e cinco meses depois, pontualmente às 7h da manhã, seus olhos pousaram nos meus. Era setembro e verão, fazia um calor infernal e tudo saiu como o planejado. Tudo certo do início ao fim, incluindo também a data precisa da sua partida. Data, hora e local.

Você foi e mais uma vez prometeu voltar. Confiei, mas era estranho tentar manter a esperança quando o medo de você não voltar parecia muito maior do que a certeza de que você realmente voltaria a tempo de passarmos o natal juntos e fazermos planos para o ano novo. Eu quis ter a certeza de que você ligaria para mim em uma manhã de domingo dizendo que viria me ver logo à tarde para passarmos um tempo ocioso juntos, só você e eu, sem fazer nada de útil.

E eu quis te esperar no aeroporto com lágrimas nos olhos e aquela coisa toda de euteamoenãoaguentavamaisficarlongedevocê. Tudo bem assim, confuso e misturado. E eu esperei, esperamos. Esperei e guardei todos os planos ainda não realizados, todos os lugares que ainda não havíamos ido e todas as palavras que a distância não me deixou dizer do jeito certo, olhando nos seus olhos e vendo sua reação diante de mim.

Dois meses depois, você voltou e a espera chegou ao fim. Todos os planos saíram do futuro e vieram para o presente, realizando-se aos poucos e sem parar. As palavras foram e ainda são ditas, os lugares visitados e a vida à dois é vivida diariamente. As estações passam, mais um ano está quase no fim e eu continuo aqui.

Com você.


Essa carta "apareceu" depois que li mais uma das "Cartas de Carolina" (leia aqui) que a Mila escreveu e acabou comigo exatamente por falar de algo que bem conheço: a espera por alguém que amamos e está longe. Fiquei com ela em mente e deu nisso, escrevi, finalmente.


Imagem: daqui.
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As palavras simplesmente foram brincar de esconde-esconde no brejo, só pode. Sumiram todas, viraram confusão e depois vazio, nada mais. É tudo um tanto estranho, pois elas até chegam à mente, formam frases miúdas, projetos de textos, mas não chegam às pontas dos dedos. Acho que elas se perdem na corrente sangüínea, pegam a veia errada e vão parar sei lá onde.

Essa falta já ultrapassou a questão de sobrevivência e está virando questão de honra. Qualquer dia explodo de tanto acumular afetos e não conseguir expressá-los. Gesticulo, falo pelos cotovelos, choro e silencio, mas parece que ainda falta algo. Sabe como é? Preciso elaborar as coisas com palavras, preciso expor, gritar, chorar e amar através das palavras. Preciso ser mais eu, mais nós e também preciso me sentir mais últil e produtiva. Mas não consigo, é estranho e beira o engraçado, o riso desesperado e dramático, quase uma crise histérica.

Sinto muita vontade de escrever, mas onde foi parar minha capacidade? Ciclo seco, fase vazia, preocupações com o resto do mundo que não envolve o blog. É, pode ser. Mas escrever minhas grosserias ou minhas coisas fofas, cheias de mimimi, fazem uma falta gigante. Preciso voltar. É, repito como mantra, preciso voltar, preciso voltar, preciso voltar... Mas voltar para onde? Para mim, creio eu.


Imagem: daqui.

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Recifense, 29.
Psicóloga, canceriana com ascendente em sagitário. Viciada em café, tentando achar um rumo na vida.

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