
Do que não chegou a ser
Max,
Hoje acordei e misteriosamente lembrei de você. Passei o dia involuntariamente relembrando momentinhos "nossos" e outras besteiradas daquele ano que convivemos juntos. Você lembra? Fiquei com vontade de escrever só para poder sentir tudo isso novamente. Apenas lembrar. Só.
Lembrei das cartas que já te escrevi e dos momentos em que, com o coração na mão, me identificava com o "tudo era apenas uma brincadeira que foi crescendo, crescendo e me absorvendo". É, você me absorveu inteira e eu nem fui capaz de esconder isso. Quantas risadas demos juntos? E quantas vezes fiquei te olhando e guardando tua voz nos meus ouvidos só para poder ouví-la antes de dormir.
Éramos uma dupla divertida, admito. Apesar de bastante problemáticos também, já que brigávamos algumas poucas vezes, mas que valiam por várias. Lembra quando fiquei com muita raiva e joguei seu desenho todo picado em cima de você? E quando você agiu como um idiota (que, no fim das contas, você sempre foi) e tivemos uma longa conversa cheia de desculpas? E eu sempre te desculpei. Até hoje, apesar de muita coisa, não consigo ter nenhum sentimento ruim em relação a você. O que tenho é um pouco como amizade, apesar da distância que nos separa, e um carinho sem explicação.
Já faz bastante tempo que tudo isso aconteceu e as lembranças já se acalmaram em mim novamente. Espero que esteja tudo bem com você. Te vejo todos os dias, mas não falo nada, prefiro passar sem ser notada e continuar vivendo apenas com as lembranças.
Um beijo doce, se cuide.
Com carinho,
S.
Trecho da Música: "Sonhos", do Peninha e que, para mim, tem sua melhor versão na voz do Caetano.
Imagem: daqui.


