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Caixa Preta

Imagem: 'Watercolors', por ~HELOHEB.




Quando era pequena, vivia rodeada de brinquedos e brincadeirinhas das mais diversas. Sua imaginação rápida era colorida com tantas cores pudessem existir no mundo que ela mal conhecia. Era de poucos amigos, geralmente brincava com aquele que só ela podia ver. Conversavam horas a fio e brincavam muito. Não achava estranho ter um amigo sem nome e que só ela via, mas guardava só para si esse segredo.

A hora em que sentava no terraço e divertia-se com todas aquelas bonecas iguais em suas diferenças, era o momento do dia em que ela se sentia uma pequena adulta. Enchia-se de orgulho ao reproduzir o mundo exatamente do jeito que via. Seus olhos, apesar de infantis e ainda miudos, conseguiam ver além. Ela podia enxergar sem medo, pois sua inocência infantil a defendia de preconceitos e de julgamentos tolos que os adultos geralmente fazem.

Pintar era outra coisa da qual gostava muito. Sentia-se realizada quando pegava sua caixa de lápis de 46 cores (sim, por que ela sentia o maior orgulho ao falar de suas 46 cores...) e aproximava-os de seu narizinho arrebitado. Aquele cheiro de lápis era como estar no paraíso, em um lugar em que as cores se misturavam nela e havia doces, flores e desenhos por todos os lados. Às vezes espalhava todos no chão, em sua baguncinha organizada de menina pouco princesinha, e ficava só olhando as cores, imaginando coisas, fascinada, por que para ela, cores são sentimentos, cada uma mostra alguma coisa. Talvez seja por isso que pessoas tem sua 'cor preferida'. A dela não era o rosa, como muitos poderiam imaginar. Gostava de todas as cores, pois como desenhar um jardim sem usar várias cores?

Era a princesinha dos pais, a pequena que corria e enchia a casa de presença. Ela adorava as histórias de princesas, mas não gostava de ser princesinha. Cresceu sem querer ser princesinha e realmente não era. Gostava da indelicadeza da vida, de falar alto e agir do jeito que lhe convinha. Continuava com aquela menininha dentro de si e talvez ela nem estivesse tão dentro assim. Às vezes se divertia tal qual na infância, só que sem os mesmos brinquedos. Hoje não eram mais bonecas ou o amigo imaginário, seus brinquedos eram as palavras, os sons e até mesmo as pessoas. Brincava de ser gente grande, de dar aulas e se achar menos inteligente do que realmente é.

Enquanto a paixão pelos lápis de cor... Essa permanece até hoje, exatamente como antes. De vez em quando joga os lápis na mesa, observa-os por um tempo, sente o cheiro deles e depois põe-se a brincar de desenhar nuvens para alguém especial. Ela cresceu, mas nem tanto. É criança-adulta, só depende do contexto... E adora quando lhe chama de 'pequena', apesar de não o ser mais.



- Luciana Brito -


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Imagem: 'Locked Away', por *littlemewhatever.



"A luz de uma paixão, o dedo da morte,
o lento pincel da solidão
desenharam meus contornos, firmaram
meu chão."



Trancou-se em si mesma com um único objetivo: acalmar os pensamentos. Todas aquelas vozes congestionavam seu pensar, seu sentir. Não compreendia mais o que poderia querer ou fazer. Surgiu a dúvida, a negra dúvida trajada nas mesmas vestes de sempre. Aquela que sorrateiramente se aconchega e destrói tudo assim como um castelo de areia que a onda vem e leva em um piscar de olhos.

Seu mundo, que nunca fora permeado por certezas, estava mais confuso que antes. Era preciso avaliar, pesar valores... Descobrir o que realmente é capaz de sentir. Estranho temer que as cenas se repitam nesse teatro que é a vida, porém, essa peça não permite ensaios. Não é permitido ensaiar até que a cena dê certo... Tudo só pode ser feito uma vez.

É desarmonia. Precisou de um momento seu, um encontro íntimo consigo mesma. Obras, reformas, mudanças. Sentia-se uma construção que precisa ser restaurada por ter sido desgastada pelo tempo. O implacável tempo que nos transforma ao longo dos eventos que acontecem. Escultura moldada com acontecimentos do passado e que, com a ação do mesmo tempo, tornam-se só história.

Porém, é preciso superar, melhorar... Uma busca incessante por auto-reconhecimento. Nada que um momento a sós com a própria existência não possa resolver.



"porque no vasto oceano
a minha eventual desarmonia
é apenas uma gota
desafinada.
Mais nada"




* Trechos de Lya Luft em 'Para não dizer adeus'. Texto integral em 'Pensar é transgredir', págs. 111 e 112.
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Imagem: 'kiss', por ~bebieee.



Ela, que nunca havia caminhado por aquela rua reparando em tantos detalhes, hoje caminha por aqueles ladrilhos sentindo sua história através de seus pés. Há quanto tempo estivera alí? Uma noite, dias talvez... Um mês? Não importa. Sabe que foi um momento único, inesquecível. Caminhos que se cruzaram.

Ela estava a caminhar naquela tarde fatídica e deparou-se com Ele. À primeira vista foi encanto, depois fascínio e uma curiosidade imensa para descobrir quem era aquele rapaz altivo. Era de aparência angelical, mas não sabia ao certo o que estava lhe atraindo nele. Ele, por sua vez, também fora atraído por algo misterioso que nela havia. Parecia-lhe que estava admirar uma deusa que emanava um brilho fora do comum.

No meio de toda a agitação central da cidade, pararam. Dois estranhos parados em uma calçada qualquer, trocando palavras através de uma mudez cheia de sintonia. Não havia explicação. Estava além de qualquer lógica ironicamente irracional de amor. Eles se conheciam de outrora, talvez de outra vida, outro lugar... O céu? Talvez.

Chegaram perto. O primeiro beijo foi de pele, o segundo com lábios se tocando, fazendo o tempo parar ao redor deles. Não havia mais movimento, eram só eles alí. Foi esse o contato pelo qual se identificaram, lembraram e se revelaram... Ele era anjo com o qual sonhara por várias noites, senhor dos seus sonhos e do seu sentimento contido. Ela, a deusa que vivia em seus pensamentos.



- Luciana Brito -

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Recifense, 29.
Psicóloga, canceriana com ascendente em sagitário. Viciada em café, tentando achar um rumo na vida.

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