A vida é tão rara

26 de agosto de 2014 //


Eu não queria falar disso por um motivo simples: odeio falar sobre isso. E o isso a que me refiro quer dizer morte. A maioria das pessoas passa a vida inteira sem pensar nesse assunto, sem lembrar que é mortal durante a maior parte do tempo. O motivo disso é meio óbvio, afinal de contas, ninguém quer pensar que pode desaparecer da face da terra. Morrer é o fim e pouca gente gosta e aceita o fim. Eu sou uma delas, beijos.

Dias atrás todo mundo ficou sabendo e acompanhou o acidente e velório de Eduardo Campos e dos demais tripulantes do avião. Todos morreram. Cada um tinha uma história, uma família. Algumas me deixaram meio pensativa, como a do próprio Eduardo Campos, que deixou para trás a esposa e cinco filhos. Me coloquei no lugar de Renata Campos e pensei que jamais teria a força dela, eu surtaria de tristeza, provavelmente. Fernando Severo tinha um trabalho lindo, que infelizmente só descobri por conta do acidente, e que ficou inacabado justamente por causa da sua morte. E a pior de todas as histórias, para mim, foi a de Carlos Percol, que havia casado a apenas quatro meses. Ele mal teve tempo de aproveitar o casamento, assim como sua esposa. O quão injusto isso é?!

No final de semana, uma amiga e seu noivo faleceram em um acidente de carro. Ela tinha 26 anos, ele 31 e estavam noivos a aproximadamente 10 dias, quando ela a pediu em casamento em Paris, no meio de uma viagem provavelmente linda e divertida que os dois fizeram e nós, os amigos, acompanhamos por fotos e vídeos. Desde a manhã do domingo, não consigo parar de pensar neles e em como a vida é filha da puta às vezes. Alguns dirão que foi a vontade de Deus, outros dirão que foi, sei lá, qualquer coisa. Para mim, foi sacanagem da vida (ou da morte, se preferirem). Todos os que conviveram com ela ainda não acreditam. Na minha forma de lidar com a dor, me revoltei com o fato de que eles estavam em uma fase linda da vida, cheia de planos e sonhos e que ela, principalmente, era uma pessoa fantástica. Isso não é justo.

Mesmo sabendo que coisas como essa acontecem todos os dias e aos montes (estatísticas estão aí para comprovar isso), é difícil aceitar que a vida pode ser interrompida assim, em um sopro. E desde o domingo um trecho de A Culpa é das Estrelas não sai da minha cabeça, é o que diz que "você morre no meio da vida, no meio de uma frase". Todos nós corremos esse risco, mas preferimos não pensar nisso, já que é menos doloroso. Só que quando a morte bate na casa de alguém tão próximo, é difícil não ficar em choque, não ter medo de ser tirado de cena no meio do espetáculo.

Eu assumo: sou frouxa e tenho um medo enorme disso, de morrer de repente, sem poder realizar meus sonhos. E quando falamos sobre relacionamentos que acabam abruptamente por causa da morte, aí é que eu me acabo mesmo. Odeio Diário de Uma Paixão (eu sei que nesse não tem morte, mas né, é quase a mesma coisa), chorei litros com P.S. Eu Te Amo e quase desidrato de tanto chorar com ACEDE só por causa desse "pequeno" detalhe. Não dá, é um assunto que não desce redondo nem com Skol. Acho absurdo, apenas isso. Dona Morte que me perdoe, mas ela é uma filha da puta.

9 comentários:

  1. Aiii Lu! Que baita texto amiga! Que baitão!

    A morte é uma filha da puta mesmo, tem toda razão. E é bom que ela fique bem longe da gente, ou ela vai se ver comigo. rs

    Não pensar é uma defesa mesmo. Porque é doloroso demais imaginar que a vida pode terminar dali um segundo e mais, que vai deixar pessoas pra trás que sofrerão muito com isso. Somos granadas. Eu só penso nisso. E rezo, rezo, rezo, rezo. /\

    Fica com Deus Luli. <3

    ResponderExcluir
  2. Sinto muito por seus amigos. A dor de perder alguém é sempre insuportável. A alguns meses perdi um amigo de uma forma terrível. Ele e o pai (que era policial) estavam voltando pra casa quando outro policial bêbado arrumou confusão com os dois e acabou disparando um tiro em cada um. Meu amigo morreu na hora, foi difícil aceitar ele era jovem e bonito, tinha uma grande carreira militar pela frente :<
    Até esse acontecimento não tinha parado pra pensar que coisas ruins acontecem a nossa volta e muito próximo de nós. E sim, a vida é uma filha da puta ...

    http://episodiodehoje.com/

    ResponderExcluir
  3. A vontade que dá é por todas as pessoas num potinho inquebrável, só para cuidar eternamente deles.


    Beijo lu.

    ResponderExcluir
  4. Aí venho aqui, te leio, e choro toda a agonia de domingo, de novo, e de novo. Ainda é inacreditável, Lu. Cadê o sorriso da nossa Jam? E os sonhos dela? Tento rezar e aceitar a vontade de Deus, mas a minha vontade ainda é de ver aquele vídeo do pedido de casamento e pensar na felicidade gigante que ela tava sentindo, e que num sopro mesmo, tudo teve fim.
    Muito triste! =/

    Beijo em tu, e quero lhe ver! :*

    ResponderExcluir
  5. Cara, uma verdade simples: não é justo mesmo. Mas é a vida, fazer o que? Até quando vivemos uma vida bem vivida, sempre fica faltando algo pra fazer amanhã, e depois e depois.

    Boa noite,

    ResponderExcluir
  6. Falar ou não falar da morte são formas de lidar com ela. A morte é complicada, paira sobre as nossas alegrias, em todos os momentos de nossas vidas. Morte de pessoas que mal nasceram, morte de pessoas que amamos tanto, e outras mortes de pessoas que sequer conhecemos. É complicado demais, e um verdadeiro transtorno quando paramos para pensar nisso. Nessa brevidade da vida. Dá vontade de se enfiar embaixo da cama com medo, e ao mesmo, de sair pelo mundo que nem louco, sem ligar pra nada no melhor modo YOLO que se possa ter. Eu já perdi pessoas que amo, inclusive meu pai, e morro de medo de perder outras. Se alguém que eu amo viaja, já fico assim, de coração apertado. É uma paranoia, talvez, mas me diz como que sai dela? Depois que a gente começa a pensar na morte, ela parece que se torna ainda mais presente. Enfim... Melhoras a você. Não é fácil.

    http://dosdiascorridos.wordpress.com

    ResponderExcluir
  7. A vida passa tão depressa e sinto como voce, uma revolta quando pessoas jovens morrem sem viver tudo de bom desse mundo
    Ótima reflexão..

    www.chadecalmila.com

    ResponderExcluir
  8. Lu, escrevi sobre isso esses dias.
    E acho que nunca haverá "cala boca" maior do que a morte de alguém querido. (Eu sinto até a morte de desconhecidos, confesso).

    Fica em paz.
    Eu deixo um trecho do que escrevi

    'E em momentos como esse, em que a vida não pára, mas o nosso mundo sim, eu simplesmente não sei o que dizer.
    Não sei pra onde vão todas as palavras bonitas que guardei no peito e as frases feitas que a gente ensaia pra dizer quando algo assim acontece. Não sei.

    ResponderExcluir