Extremamente incrível

31 de janeiro de 2013 //


"E que tal uma chaleira? E se o gargalo abrisse e fechasse quando o  vapor saísse, funcionando como uma boca que pudesse assobiar melodias bonitas, recitar Shakespeare ou simplesmente rachar o bico junto comigo?"

Assim começa um dos livros mais sensíveis que já li. Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, do Jonathan Safran Foer consegue ser um livro sensível, engraçado e triste, tudo ao mesmo tempo. Lembro-me bem de como surgiu o meu interesse de ler essa obra, após ler uma ótima resenha feita pela Nina, na qual ela falava muito bem do livro. Depois disso, veio a vontade de compra-lo, o desgosto ao ver o preço e a alegria de vê-lo em promoção na tão conhecida Black Friday. Resultado: comprei. Constatação posterior: foi uma ótima aquisição. Depois disso, resolvi que ele seria o meu livro de janeiro do Desafio Literário.

O livro conta a história de Oskar, um garoto extremamente especial e apaixonante. Ele tem algumas particularidades: não pode falar palavrões, é fã do Stephen Hawking, adora escrever cartas e fotografar com a velha câmera do avô, faz roxos em si mesmo e vive criando invenções que ajudem a humanidade. Para se apresentar, Oskar criou um cartão de visitas para si:


No início do livro e da saga de Oskar, ele está no closet dos seus pais, onde quebra um vaso por acidente e descobre dentro dele um envelope que contém uma chave e o nome “Black” escrito em um dos lados. Acostumado a resolver pequenos mistérios com o pai, Oskar acredita que a chave e o envelope são uma das pistas que seu pai lhe deixou, por isso ele sai testando a chave em todas as fechaduras que conhece, mas nenhuma serve. Aí começa a investigação toda e a sua busca para encontrar o significado da palavra “Black” e a porta a ser aberta por aquela chave.

Ao longo do livro, vamos conhecendo não só Oskar, mas nos deparamos também com a história da sua família. Com capítulos intercalados, Foer vai nos dando detalhes da vida dos avós de Oskar que nos ajudam a compreender não só a vida do garoto, mas como as coisas chegaram a ser como são. Sobreviventes do bombardeio de Dresden, a história entre Thomas e a avó de Oskar é permeada por traumas, reencontros e subjetividade. Além disso, outro ponto interessante da história dos dois é que Thomas, traumatizado desde o bombardeio, não fala e por isso utiliza a escrita para se comunicar. E são os seus escritos que enriquecem ainda mais o livro. Acredito que, assim como a Nina citou na sua resenha, o que melhor define os diálogos de Thomas está nessa resenha:

“A narrativa, que não é conduzida apenas por frases e parágrafos, também nos traz por palavras dispersas, grafismos, cores, fotos, códigos numéricos e textos sobrescritos – uma inteligente metáfora para os personagens de Foer, pessoas que amam profundamente, mas têm extrema dificuldade em dizê-lo. Tais recursos são muito mais que maneirismos estilísticos; exemplificam a dificuldade de estabelecer comunicação e de achar as palavras certas no momento certo.”

Para mim, os capítulos mais emocionantes são os que retratam a vida dos avós do menino e as cartas que eles escrevem. Foram os trechos em que mais chorei. Mas de uma forma geral, o livro todo é emocionante, pois acompanhamos o drama do menino que perde o pai e precisa enfrentar o luto à sua maneira. Além disso ainda vemos a luta da sua mãe e o próprio drama dos avós. É um livro sensível e visualmente rico, já que é cheio de fotografias e detalhes que nos dão a sensação de estarmos diante do que é falado no texto, como os recortes de jornal, as folhas dos cadernos de Thomas e, muitas vezes, a sua forma de escrita angustiada. A meu ver, isso faz com que a leitura desse livro em formato digital perca a graça. Essa é uma obra para se ter em mãos.


Existe a adaptação cinematográfica desse livro, com o Thom Hanks e a Sandra Bullock como os pais do Oskar, que foi indicado ao Oscar 2012 nas categorias Melhor Ator Coadjuvante (para Max von Sydow) e de Melhor Filme. Confesso que ainda não assisti e que estou com aquele receio de que o filme não esteja a altura do livro, mas ainda assim acho que vale a pena. Só deixo uma dica, preparem os lencinhos.

 
 
Atualizando: Assisti o filme e fiquei tão "coisada", que acabei fazendo um livro versus filme lá na Revista 21. Confiram e comentem!

6 comentários:

  1. Fiquei louca para ler *-*
    Não tinha ouvido falar ainda...

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  2. Achei seu blog pelo Google ensinando um tutorial de como colocar música no post. Adorei seu blog, definitivamente. Sobre o post: nunca tinha ouvido falar sobre esse livro, gostei, achei diferente.

    Beijos!
    www.likeparadise.com.br

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  3. Eu já estava louca pra ler o livro e depois desse post então... virou uma situação de emergência! Quero já! *-*

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  4. Parece muito bom mesmo! Vou incluir na lista dos que quero ler!
    Beijos!

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  5. Oi
    Parece ser um livro muito interessante e vou ver se vejo o filme também ;)

    Beijinhos
    Renata
    Escuta Essa
    http://www.facebook.com/BlogEscutaEssa
    @blogescutaessa

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