Catarse

by - 21:05




Eu só queria dizer que hoje é domingo e o dia está sendo entediante. Que eu já me acostumei com a sua presença espantando a chatice em dias como o de hoje. E que é justamente por causa da rotina que se quebrou, que me encontro assim, com essa sensação de desamparo que me deixa totalmente vulnerável. A saudade me causou uma fratura exposta. Quebrada. É assim que estou me sentindo. E não é por causa da caminhada de ontem, mas também porque não consegui descansar no seu colo e isso me deixará de mau humor a semana inteira. Fico chata pra caralho quando não te vejo. Assim mesmo, com direito a advérbio de intensidade e tudo.

E somado a tudo isso, eu também queria dizer que o natal está chegando. Não é novidade, eu sei. Mas essa época do ano costuma me deixar ansiosa, como se eu ainda fosse aquela criança bagunceira que tenta ficar acordada à noite esperando o Papai Noel colocar o presente legal embaixo da cama. É bobagem, eu sei. Mas não consigo evitar. Natal me dá agonias e me deixa cheia de desejos e quereres que não cabem em mim. E  essa bruta flor do querer deve ser uma rosa, porque tem uns espinhos que teimam em me lembrar que não basta querer, tem que fazer algo mais.

Eu sei, eu sei, não estou falando coisa com coisa. Mas você sabe, algumas vezes eu fico desorientada e saio falando coisas sem nexo. É uma necessidade estranha, essa. Saio jogando palavras ao vento e juntando umas lágrimas no canto do olho que é para ver se as agonias diminuem. Digo que está tudo bem, mas depois os acúmulos aparecem e pronto, se instala a fragilidade. Essa confusão toda é a minha catarse. Por favor, entenda. É só um jeito tosco e sem graça de dizer que estou pensando milhões de besteiras só porque estou com saudade e você não veio hoje. Aviso logo: te espero domingo que vem.




Imagem: we♥it.

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12 comentários

  1. Confesso que estou assim hoje, mas porque ele não veio ontem. Ai bateu a angustia, saudade, o vazio.
    Eu me acostumei com a presença dele todos os sábados e quando a gente acostuma é péssimo.
    Carência ta a mil por hora!
    Texto lindo!

    Beijos

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    1. "Quando a gente se acostuma é péssimo", tenho que concordar completamente com isso. Ainda bem que sábados e domingos se repetem constantemente, :)

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  2. ôô meu Deus Lulu!
    Não sei como consegue escrever tão bonito em meio a sentimentos tão confusos e doloridos.
    As vezes me sinto assim, você sabe, a Fê sabe..
    Essas nossa flor deve mesmo ser uma rosa não é?! Deve ter uma lógica nisso tudo: os espinhos primeiros, que é pra proteger o bonito que virá depois. Deve ser, que seja!
    Estou far far away de ti, mas se precisar de alguém pra não deixar sua peteca cair, ok?
    o #ardesemsever tá aqui, mesmo que não. rs
    Se cuida, e tenha uma ótima semana! Bem leve!
    Um bijão sua menina arretada da peste! ❤

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    1. Nós três (Tu, a Fê e eu) sabemos bem o que é esse tipo de coisa. E ainda bem que temos uma a outra, mesmo longe.

      Beijo, Nana!

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  3. ps: tem umas letras sobrando por aí, então perdoe a ortografia da mineira, às duas da manhã. ;)

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  4. saudade entre um abraço e outro é a melhor saudade. :) eu sinto saudade de um abraço que não vou ter mais.

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  5. Me identifiquei bastante com esse post. Também estou sentindo falta de uma pessoa e ando meio desorientada por causa disso. Irritada, impaciente, frustrada. E tudo está juntando com o fato de já ser dezembro. Por incrível que pareça, eu odeio essa época do ano.
    Adorei o novo layout. Beijos flor

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  6. Caramba, você escreve muito bem!
    Acho que é uma coisa pela qual muita gente passa (tipo eu nesse momento). O seu texto me compreendeu totalmente, obrigada.

    P.S: Tem um selo pra você lá no meu blog, último post.

    Mari
    http://cxdamari.blogspot.com.br/

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    1. Awn, obrigada, Mari! Pelo elogio e pelo selo. Em breve posto ele por aqui. ;)

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  7. E a ausência tinha que ser justo num domingo, Lux? hihi
    pink floyd *o*

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    1. Né? Domingo já é dia de cão por natureza. Juntou com ausência e pronto, phodeu! hahahahah

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  8. Seu texto flui muito bem! Gosto da forma como pensa em uma desordem mental e que, encaixando-se em palavras, discorre com sinceridade sobre o que sente . Isso é sim catarse. Aliás , uma bela catarse!

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